Um sistema pode ter excelente arquitetura e ainda fracassar se a equipe não conseguir usá-lo. Em ILPIs, a interface precisa atender profissionais com idades, formações e níveis de experiência digital diferentes, muitas vezes trabalhando em movimento e sob pressão de tempo.

Legibilidade é o primeiro requisito. Tamanho de fonte, contraste, espaçamento e hierarquia precisam permitir leitura rápida. Textos pequenos e tons de cinza muito suaves podem parecer elegantes em uma apresentação, mas se tornam problema na rotina.

Botões e áreas de toque devem funcionar em celular e tablet. Um elemento fácil de clicar com mouse pode ser difícil de tocar com o dedo. Campos próximos demais e ações críticas sem confirmação aumentam chance de erro.

A linguagem precisa ser da operação. “Registrar banho”, “administrar medicamento” e “passagem de plantão” são mais claros do que termos técnicos do desenvolvimento. A pessoa deve reconhecer imediatamente a tarefa que precisa realizar.

Reduzir passos também é acessibilidade operacional. Se um cuidador precisa abrir cinco telas para registrar uma atividade recorrente, o sistema cria barreira. Fluxos frequentes devem ser simples, sem esconder informações importantes.

Feedback é essencial. Depois de salvar, o usuário precisa saber que a ação foi registrada. Em caso de erro, a mensagem deve explicar o que precisa ser corrigido. Mensagens genéricas como “erro 500” não pertencem à experiência do cuidador.

A interface deve prevenir enganos. Diferenciar claramente ações como registrar, cancelar, corrigir e excluir; pedir confirmação em ações irreversíveis; manter contexto do residente visível; e evitar campos ambíguos são estratégias que reduzem falhas.

Acessibilidade formal também merece atenção. Contraste, navegação por teclado, labels em formulários, textos alternativos e respeito a configurações de movimento são práticas importantes, especialmente quando o sistema ou site pretende atender uma diversidade maior de usuários.

O SIDOSO está sendo desenvolvido com abordagem responsiva e perfis de uso. Na comunicação do site, isso deve ser demonstrado com prints reais em desktop e mobile, não apenas afirmado em texto. O teste de 30 dias também permite que a própria equipe avalie se a experiência é adequada.

Ao escolher um sistema, coloque alguém da operação na frente da tela e peça para executar uma tarefa sem instrução excessiva. A reação dessa pessoa diz mais sobre usabilidade do que uma lista de funcionalidades.